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TRADIÇÃO E MODERNIDADE

O TÊNIS ATRAVESSA O SÉCULO 20 COM INOVAÇÕES
CONSTANTES, MAS SEM DESPREZAR SUAS RAÍZES

Possível ser tradicional e inovador ao mesmo tempo? O tênis tentou provar, durante este século, que sim. O esporte, de veias medievais, renasceu na Inglaterra em 1877, ao ser criado o torneio de Wimbledon. O evento, que pretendia apenas aumentar a arrecadação para o All England Club, precisou estabelecer algumas regras, já que o tênis de saias longas e roupa social era praticado de diferentes formas pelos campos aristocráticos. A quadra se tornou retangular, com pouco mais de 23m de comprimento, e a contagem foi oficializada no "15, 30, 40 e game", retomando os tempos em que o jogo era disputado em salões imensos e dava-se 15 passos à frente para "sacar" a cada ponto ganho.

Estavam criados a forma, o tamanho e as exigências. O tênis nunca mais mudou. Pouquíssimas coisas foram introduzidas desde então, geralmente aceitas devido ao avanço tecnológico do equipamento. A alteração mais radical talvez tenha sido o tie-break, sistema de desempate ao final de cada set, mas ainda assim foi uma transformação penosa. Apesar de existir desde os anos 50, só foi adotado já na Era Profissional, 20 anos depois. Wimbledon admitiu o tie-break apenas nos quatro primeiros sets a partir de 76 e a Copa Davis esperou até a década de 90.

Tradição tem sido palavra-chave no tênis, ainda que tenha deixado de lado a roupa predominantemente branca, exceto obviamente em Wimbledon. Jogos eliminatórios, silêncio e ar elitista são marcas registradas.
Mas o tênis, paradoxalmente, mudou a história do próprio esporte em muitos aspectos, a começar pelo regime profissional, que adotou a partir de 68. Na verdade, competir por recompensa financeira era uma prática dos anos 30, onde se organizava duelos e campeonatos com premiação e apostas. A Federação Internacional baniu então os profissionais de seus eventos, alegando deturpação do espírito esportivo. O regulamento durou até 68, quando finalmente se admitiu a presença dos profissionais e, mais que isso, criou-se um autêntico circuito internacional de torneios, com premiação em dinheiro a cada vitória. Desde 1970, o circuito passou a ser encerrado com um Masters, espécie de tira-teima para definir o melhor atleta da temporada. A essas inovações, seguiu-se o ranking mundial, em 74 para os homens e no ano seguinte para as mulheres. Ao se olhar para a estrutura da maciça maioria das modalidades individuais de hoje, incluindo atletismo e natação, a figura do circuito, do Masters e do ranking é norma. O vôlei adotou o tie-break, o "set point" e o "match point".

A contribuição definitiva, porém, aconteceria na metade dos anos 80, quando o tênis incluiu a ciência no seu processo de treinamento. Ivan Lendl e Martina Navratilova foram os precursores de métodos pouco habituais. Cercaram-se de especialistas em diversas áreas, que ia da nutrição à musculação, e recorreram ao estudo de adversários por estatística e à raquete construída sob medida de seus golpes. Lendl dançava balé, Martina jogava basquete, tudo em prol da forma física perfeita, do trabalho de pé irretocável, da plástica de movimentos. Foi uma revolução, que dividiu a própria era profissional em duas fases.

A força entrou em ação, nas rebatidas mecânicas de Lendl, na habilidade incomparável de Martina. Levou-se algum tempo para assimilar o que significava o tênis-força, após a troca tão radical entre a raquete de madeira, que só foi aposentada em 84, e materiais cada vez mais leves, resistentes e aerodinâmicos. Para provar sua capacidade de conviver com a tradição e a modernidade, o tênis precisou então reencontrar o equilíbrio e a magia, perdidos em meio às dezenas de aces e bolas inalcançáveis. Não foi tão difícil, nem tão demorado como se imaginava. Heróis de 40 anos, como Jimmy Connors, brilharam entre a garotada, enquanto o tênis feminino se mostrava capaz de revelar caras novas com freqüência quase assustadora. Apesar das dissidências históricas entre a Federação Internacional e as Associações profissionais, conseguiu-se revigorar os Grand Slam e a Copa Davis.

O tênis entra em seu terceiro século com expectativa animadora. Se é verdade que as estrelas norte-americanas estão decadentes, o crescimento global nunca foi tão expressivo. A Europa bate recordes de público e recoloca o tênis em canal aberto de TV. O circuito profissional chega de vez ao Terceiro Mundo e programas internacionais de incentivo à prática se multiplicam. O tênis mantém a cabeça no passado, mas aprendeu a abrir os olhos para o futuro.

Por: José Nilton Dalcim
Gazeta Esportiva

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